terça-feira, dezembro 23

PPT

Mas quem é que não sabe o que é o pedra-papel-ou-tesoura (PPT)?
Um amigo meu não sabe o que é o pedra-papel-ou-tesoura. Fiquei horrorizado. Para já, ele é feio como o caraças e depois, não conhece a melhor forma de decidir o mais variado número de coisas entre duas pessoas. Quem é que faz o jantar hoje? Pedra-papel-ou-tesoura. Quem é que vai fazer uns bigodes no cartaz do Sampaio? Pedra-papel-ou-tesoura. É simples, eficaz e dá para estar a fazer pedra-papel-ou-tesoura durante horas a fio só por puro divertimento. Que nostalgia que se apoderou de mim agora... Que belas sessões de pedra-papel-ou-tesoura tinha eu com os meus colegas enquanto os professores falavam durante duas horas... Para quem não sabe, também dá para fazer a três. Neste caso há mais empates mas há vezes em que um se sobrepõe logo a dois duma só vez. É uma loucura. E também para quem não sabe e se pergunta como é, em caso de empate, c'um escafandro, não é difícil de adivinhar que se faz sempre à melhor de três. É claro é que há sempre uns atrasados mentais que não têm aquele ritmo próprio do PPT, e isso causa alguns irritanços, mas não esquecer que o pedra-papel-ou-tesoura é para tomar decisões ou para divertir-mo-nos todos. Porque isso é que é importante. O convívio.
P.S. Para aqueles que têm tido uma série negra de derrotas,o conselho é o mesmo de sempre. Continuem a enviar postais.

quarta-feira, dezembro 3

Coração aberto

No outro dia abri o meu coração com uma amiga minha. Por acaso, foi tudo num instante. Tínhamos combinado um jantar em minha casa, o qual preparei com todo o meu saber culinário, e durante a sobremesa começámos a falar...
"Sabes, gostava de abrir o meu coração contigo", disse-lhe eu.
"É? Terei todo o gosto em te poder ajudar nalguma coisa e digo-te já que me sinto honrada por me escolheres a mim para confiares esse teu coração", respondeu prontamente. E então, levantei-me, ela levantou-se também e partimos um para o outro para trocarmos um longo abraço. Saí da sala e fui buscar a minha mala.
Quando voltei à sala, deitei-me no sofá e tirei o bisturi da mala. Dei-lhe e ela fez-me um corte profundo. Aquilo doeu-me um bocado mas, com a mania dos machismos, não disse nem um ai. Ela olhou para mim e disse-me que tudo iria correr bem. Depois de tirar o coração de dentro do meu corpo, sentámo-nos os dois à mesa e com alguns utensílios de médicos observámos o meu coração. De facto, estava com algumas cicatrizes e tinha uma pequena ferida, a qual não sei a sua proveniência. Foi um momento muito bonito. Partilhei o meu coração com outra pessoa. Depois de diagnosticarmos o coração, ela voltou a colocá-lo dentro de mim e cozeu-me. Há que dizer que fiquei impecável. Acho que nem vou ficar com uma cicatriz que seja.
Sentámo-nos de novo à mesa e eu fiz-lhe uma banana flambé. O ambiente ficou um pouco diferente. Ela olhava-me com outros olhos. Uns olhos de ternura de quem faria tudo por mim. E eu, que tanta paixão nutro por ela, ardia de nervosismo por estar a ser correspondido. Sei que foi um golpe baixo. Sei que elas ficam todas caídinhas por nós quando abrimos o coração com elas. Mas não aguentava mais um dia sem poder dizer como a adoro.

terça-feira, novembro 25

Exagero

Há vezes em que tudo me parece um exagero. Um exagero porque não faz sentido estar assim por nada. Afinal de contas tudo é uma palavra traiçoeira e passa num instante. Este instante é que me está a parecer um exagero.

quinta-feira, novembro 20

Murphylogia I - Um verdadeiro problema não tem solução

Sim, um verdadeiro problema não tem solução. Senão não é um problema verdadeiro. Qual é o interesse de estar a tentar resolver um problema que tem solução? Quando a descobrimos acabamos por pensar que não era de facto um problema verdadeiro. Era apenas um contratempo. Agora um problema verdadeiro, isso é que dá gozo. E como não tem solução, forme-se uma comissão para o resolver. No fundo, uma comissão são doze homens a fazer o trabalho de um. E assim chegamos à conclusão que se algo não funciona há que expandir. Isto porque quanto mais se expandir, menos se notará que não funciona.

quarta-feira, novembro 19

Não saltem s.f.f.

Surgiu uma moda em Portugal que nos compromete perante o resto da Humanidade e que não tem cabimento nenhum de tão ridicula que é. Essa moda é tão parva que as pessoas que aderem recusam admitir que aderiram. "E salta fulano e salta fulano, olé, olé..."... Esta moda de fazer saltar alguém como forma de o homenagear é de uma estupidez difícil de igualar. O que aconteceu ao aplauso? Ao simples aglomerado de palmas que há tantos séculos existe? Será que, nos tempos de Platão, depois de se dirigir à assembleia, esta levantava-se e gritava: "E salta Platão, e salta Platão, olé, olé!"? Será que nas reuniões da Microsoft, quando o Bill Gates apresenta mais uma edição do Windows, o pessoal levanta-se e grita: "E salta Billizinho, e salta Billizinho, olé, olé"? Não me cheira nada. Estou mesmo a ver o Radu Lupu a saltar depois de tocar cheio de mestria uma obra de Débussy... Eu acho que esta moda parva começou no Big Brother. Isso não é grave. O grave é que pegou. Enfim. Gostaram deste blog? Então vá... "e salta Chico, e salta Chico, olé, olé!".

segunda-feira, novembro 17

Carta aberta ao Elefante

O S.U.U.C.C. (Sindicato dos Ursos Unidos Contra as Calúnias) vem por este meio contestar vivamente as acusações de que fomos alvos num recente artigo publicado por um elefante resabiado que não consegue compreender a falta de jeito que tem de dizer Buh. Sim, porque como o gajo diz Bu para fingir que é um urso, é natural que fujam todos, porque não é Bu que se diz, mas sim Buh. Se ele experimentasse ter umas aulas de dicção talvez conseguisse dizer Buh como deve ser e os animais não fugissem dele. Apesar de toda esta controvérsia, o S.U.U.C.C. está na disposição de oferecer um estágio no departamento de Dicção e Bons Costumes, como forma de ajudar o elefante em questão. O S.U.U.C.C. informa igualmente que abriu uma conta no BES com a finalidade de angariar fundos para o programa de desenvolvimento dos Elefantes dos Casais de Alpiarça. Sem mais assunto, o Sindicato agradece o espaço disponibilizado para a publicação da carta. A direcção.
(conta BES nib: 1000101248758)

sábado, novembro 15

Urso, uma ova!

Têm-me acusado de ser um bocado urso. Não sei o que os leva a dizer isso, mas muitas vezes, estou eu atrás de uma árvore, e ao aparecer de repente, gritam: "URSO!!!!!!". E eu estou triste com isso. Afinal de contas a minha tromba não engana ninguém. Quando apareço de repente digo: "Bu!" e se calhar é por isso que eles pensam que sou um bocado urso. Realmente os ursos quando assutam gritam bu. Nós os elefantes fazemos mais: "Yupi ai yeah". Mas eu gosto de brincar com eles e fingir que sou outro. Só que com este meu tamanho enorme, a tromba mais as duas orelhas descaídas é um bocado difícil de me confundirem com um urso. Os ursos são peludos e um bocado tótós, convenhamos. Além disso cheiram mal. Deviam tomar banho mais vezes. É que com aquela penugem toda é natural que fiquem restos de comida agarrado e entranhado nos pêlos. E quando me confundem com um urso fico triste porque antes de eu poder explicar que não sou um urso e sou um elefante, eles começam a fugir e a gritar: "Urso, Urso!". Vou deixar de dizer bu.

quarta-feira, novembro 12

Pancadaria boa

Repara que nem sempre é assim. Às vezes és tu que me tratas bem. Não pode continuar assim! Se queres que isto resulte tens de me tratar pior. Umas estaladas no mínimo! Ao príncipio, quando nos conhecemos era tudo um mar de rosas. Obrigavas-me a andar por cima de uma quantidade enorme de rosas, cheias de espinhos, e eu tinha de estar descalço. Agora já não fazes nada disso. Dás-me um beijinho aqui, uma festinha ali. Às vezes chegas a me abraçar! Que horror! Gostava tanto quando discutíamos e acabávamos a noite a espetar garfos nos braços um do outro. Agora é diferente. Já não me amas da mesma maneira. Estou desiludido com a nossa relação. Desculpa, mas é assim. Eu sei que também te dou um beijinho de vez em quando, mas é em público! Temos de disfarçar, e tu sabes bem isso. Mas também sabes que depois chegamos a casa e dou-te xispalhadas de meia noite. Mas dizes que estás com dores de cabeça e já não te posso dar a cabeçada de boas noites! Bem me disseram que os primeiros meses é tudo muito bonito. Agora até me pedes para me lembrar da data da nossa primeira pancadaria.

segunda-feira, novembro 10

Pombologias

Por que raio é que os pombos são todos do mesmo tamanho? Alguém me explica? Não sei, eu pelo menos nunca vi um pombo mais pequeno do que os outros, tipo, um pombo bébé, nem nunca vi um pombo mais alto, tipo jogador de basquete. Sempre que vejo pombos são todos iguais. Pronto, já aprendi a diferença entre os pombos e as pombas. Os pombos, na sua generalidade têm bigode e, de facto, as pombas não têm. Nisso eles são tradicionalistas e não se vê em lado nenhum uma pomba emancipada a usar bigode. Agora, nunca vi um pombo pequenino. Será que eles nascem já grandes? Será que também vêm de Paris, numa fralda na ponta do bico de uma cegonha? Ninguém nos explica essas coisas. Aqui entre nós, eu por acaso acredito mais na teoria de que os pombos têm um local secreto onde se reproduzem e crescem e só depois saem para a vida selvagem, ou seja, as cidades. Agora, onde será esse local secreto? Por acaso até acho que é no telhado do meu prédio porque de vez em quando vejo um casamento de pombos. Parece assim uma lição de voo. Vejo-os pela janela. Eles voam em conjunto, dão uma volta e regressam ao telhado. Acho que já os topei.

domingo, novembro 9

Dor de cabeça

Eh pá, que dor de cabeça! Parece que alguém me está a apertar os músculos que ligam as diferentes partes da minha cara. Se calhar é melhor tomar qualquer coisa. Ou então, se calhar é melhor parar de bater com o martelo. Mas isso seria ir pela via mais fácil. Eu não sou desses. Sou um homem forte e decidido. E vou conseguir que a cabeça me deixe de doer sem ter que parar com o martelo. Depois o sangue é outra história. Logo se vê. De qualquer das maneiras há de secar. Mas, desta vez, é melhor limpar. Da última vez que fiz isto, as pessoas não paravam de olhar para mim na rua. Ou seria porque me tinha esquecido das calças? Que merda. Nunca sei porque olham para mim. Olham, olham, mas nunca sei a verdadeira razão. Já estou bem melhor da cabeça.

terça-feira, outubro 28

Cheiro cheio

Adoro o teu cheiro. Adoro quando insiste em me ficar nas mãos depois de eu ter estado uma noite inteira agarrado à tua mão. Os dedos entrelaçados a dizerem, "és meu e não vais fugir de mim", como se eu alguma vez quisesse fugir de ti! Os meus dedos dizem a mesma coisa! E agora cheiram a ti. É assim que vou aprendendo a conhecer o que é sentir a falta de alguém... Sim, porque já há mais de uma hora que me sinto vazio.

quinta-feira, outubro 23

Cão loves gata

Eh pá, não sei. Será que ela percebeu? Se percebeu, percebeu tudo errado. Afinal de contas não há nada a esconder. Apenas cheirei o rabo dela. Até parece que ela nunca cheirou o rabo de nínguem. Claro que cheirou. Só por ter cheirado o rabo daquela minha amiga uma segunda vez não significa que esteja interessado nela. Também, para quê tanta ciumeira? Afinal de contas não fomos feitos para nos cingirmos a uma só cadela. Irra, há para aí com cada Setter Irlandesa que va lá vai. Pronto, já fiquei todo maluco. Para de abanar, rabo! Que porra. Somos logo catados se estamos contentes. Mas a verdade é que também basta-nos fazer aqueles olhinhos que qualquer um perdoa logo a merda que fazemos. No outro dia, roí os chinelos da minha dona (ui, e que belos chinelos, ao melhor estilo. Chinelos pedigree...) e ela ia me bater mas eu sentei-me todo encolhido num canto e pus-me com aqueles olhinhos e ela ficou logo com pena, é tão parva. O que vale é que me leva para casa do namorado dela que vive lá com uma gata! Fico todo maluco. Quem disse que não gostávamos de gatas? Se vocês vissem aquela pelugem macia e aquele andar tão sedutor… E quando ela salta para cima da estante e fica com aquele ar indiferente (até parece que não me quer comer...), fica um arraso! Estou tão apaixonado. Sou um cão e amo uma gata.

domingo, outubro 19

A Torta

Uma torta de chocolate da Dan Cake, coberta com chocolate e recheada de baunilha, é uma torta de choclate da Dan Cake, coberta com chocolate e recheada de baunilha. Ou melhor, uma torta de chocolate da Dan Cake, coberta com chocolate e recheada de baunilha não é "apenas" uma torta de chocolate da Dan Cake, coberta com chocolate e recheada de baunilha. Porque não é. É todo um início de prazeres e seduções culinárias e momentos nostálgicos sufocantes.
Esta torta, que na realidade, apenas se devia chamar "A Torta", porque, enfim, não há outras que mereçam esse nome, tem uma maneira muito particular de ser comida. Para bem de todos os que perdem tempo a ler este blog, vou explicar os diferentes passos para se comer convenientemente "A Torta". A saber:
1. Tira-se a torta da embalagem (convém sempre...)
2. Corta-se uma fatia, da ponta, que tem chocolate dos lados (recomenda-se particularmente)
3. Começa-se a comer a cobertura que já começou a estalar.
4. E por fim, toca a enfardar.
Nota, se se cortar fatias de várias larguras, teremos sempre prazeres diferentes.
Atenção, para aqueles que tiverem de partilhar a torta, avisamos que o melhor que têm a fazer é serem vocês a fazer a divisão. Deste modo poderão sempre cortar um pouco mais para vocês. Todos os milímetros são valiosos e vale sempre a pena lutar por eles.

quinta-feira, outubro 16

O estranho mundo dos fumadores

Os fumadores têm uma espécie de ligação entre eles. Só pode. Hoje vi um amigo meu "dispensar" um cigarro a um tipo que o interpelou. Até aí, nada de extraordinário. O problema começa quando eu reparo na tremenda e assustadora tromba do tal tipo. Fiquei verdadeiramente catatónico! Não só tinha a cara mais idiota e irritante que eu alguma vez vira na minha vida, como agradeceu a bondade do meu amigo com um grunhido que mal se percebeu e que me encanitou sobremaneira.
Mas o que é isto? Compreendo que se dêem cigarros às miúdas. Agora, segundo sei, e eu até que estou muito bem informado, um cigarro pode ser muito importante na vida de uma pessoa, logo não se devia dispensar a qualquer um. Ainda para mais este meu amigo é um agarrado de primeira com os seus cigarros. Iniciei no imediato uma ofensiva de ofenças e blasfémias para com ele.
"Então, não dás cigarros aos amigos e dás a este... a este... a este TRAMPAS! Vai dar uma curva ao bilhar grande, seu grande, mas muitíssimo grande bota-de-elástico!". Ele ficou um pouco surpreendido, ofendido mesmo, com a violência das minhas palavras mas apressou-se a justificar que a actividade mental dele estava particularmente lenta nesse momento pelo que nem se apercebeu no erro que tinha acabado de cometer.
Não percebo, a sério que não percebo. Até o gás da merda do isqueiro querem poupar e depois vão dispensar um cigarro, um importantíssimo "nite", de uns 15 necessitadíssimos cêntimos ao primeiro paspalho que aparece. É bem feito que agora esteja estampado nas embalagens: "o cigarro provoca borbulhas e comichão no nariz". É bem feito.

quarta-feira, outubro 15

Beta e Sapy

Cheira-me que o Beta anda a atacar o Sapy. O Sapy está com um ar doente e a cauda parece estar mordida. Mas é um bocado óbvio. Só não vê quem não quer. O Beta é territorial e o Sapy foge sempre dele. No fundo o Sapy é bastante esperto porque sabe que tem de se afastar do Beta, mas deve ter sido um pouco lesto e, já estás, foste atacado. Claro que agora o Beta anda a disfarçar. Sempre que passo por lá, vira-se e nada de um lado para o outro, assobiando, como se não fosse nada com ele. Mas eu sei que és tu, ouviste ó palhaço? A não ser que seja a minha mãe… Mas eu não quero pensar que a minha mãe me anda a tirar os peixes do aquário para lhes comer um pouco da cauda… Lol… A minha mãe, que parvoíce… Por acaso não sei dela há alguns minutos... Mãe… Mãe? MÃE?! Chega aqui! Que é isso côr-de-laranja que tens no canto da boca?

terça-feira, outubro 14

Porque não, unhas?

No outro dia fiquei a saber que existe um verniz para as unhas que previne as estrias.
Não, esperem lá dois segundos. Tenham paciência mas vou repetir: No outro dia fiquei a saber que existe um verniz para as unhas que previne as estrias.
Mas as unhas podem ter estrias? Claro que podem. Fui-me informar.
Procurei um profundo conhecedor de maquilhagem de unhas. Vanderley Gualter (também não acreditei no nome à primeira…) é director do departamento de unhas de uma empresa muito conhecida do mundo da cosmética. Segundo ele, “as unhas são como as pessoas. Podem estar deprimidas, alegres, gordas, etc…”. Exacto. Porque não? Agora já percebi porque a Carol nunca roeu as unhas. “Podem ficar deprimidas!” «suspiro» (estou a dizer que não com a cabeça…).
Depois de me apoderar de tão importantes informações, fiquei naturalmente preocupado. Fui fazer um teste às minhas próprias unhas. E quem ficou deprimido fui eu. O resultado foi arrasador!
Então é assim. As minhas unhas sofrem de tosse aguda, lombalgias e pior do que isso, são esquizofrénicas! Diz que algumas vezes pensam que são as unhas da Maria José Ritta. Mas o que é isso? As minhas unhas pensam que são as unhas da primeira dama?! Fui logo cortá-las aos ésses para não se armarem em empinadas! Agora parecem a Teresa Ricou. Eheh.

domingo, outubro 12

Indícios da meia idade

As pessoas que entraram na Universidade este ano nasceram em 1985.
Quando Gorbatchov foi eleito e iniciou a abertura da URSS, estavam a nascer.
Para eles só existiu um Papa e sempre foi muito velhinho.
Quando se deu o acidente nuclear em Chernobyl ainda não andavam na escola e quando Gabriel Garcia Marquez ganhou o Nobel, nem sabiam ler.
O "Heroí de Estugarda" deve ser um filme.
Para eles "Saltillo" deve ser um prato com ovos mexidos e não um caso que abalou o futebol português durante o Mexico 86.
Tinham 7 anos quando a União Soviética se desintegrou e enquanto nós viamos em directo a libertação de Mandela, brincavam com pópós e bonecas. Andavam na jardim infantil.
Para eles "The Day after" é uma pílula ou uma discoteca, não o título de um filme e CCCP é um monte de letras ou um erro de teclado atribuível ao lixo cibernético.
O 25 de Abril é tão histórico como a I e a II Guerra Mundiais.
Não chegaram a jogar com o velho "Spectrum", nem tiveram discos de vinil: três anos antes de nascerem já os CDs atacavam o mercado.
Para eles "A turma do Balão Mágico" soa tão mal como os "Queijinhos frescos".
Quando assobiamos a música do "Verão Azul" eles ficam na mesma pois aquilo não lhes traz quaisquer recordações.
A SIDA existiu toda a sua vida.
A expressão "pareces um disco riscado" não significa nada para eles.
Para eles nunca houve outra forma de levantar dinheiro senão em caixas na parede. Ainda eram apenas projectos quando apareceu o Multibanco.
O "Bébé proveta" é 6 anos mais velho do que eles.
Muitos deles não sabem ou não se lembram que a televisão só tinha 2 canais e alguns nunca viram sequer uma televisão a preto e branco.
Os vídeos sempre existiram e os DVD’s não são assim tão surpreendentes. Televisão sem comando à distãncia? Não sabem o que é.
Nasceram quatro anos depois da Sony ter posto à venda o primeiro Walkman e para eles os patins sempre foram em linha.
Não viram a construção do centro comercial das Amoreiras, nem sabem que é prémio Valmor.
Nunca viram "A Abelha Maia", "Marco", "Viki o Viking", "Anna dos Cabelos Ruivos", "Tom Sawyer" ou "Heidi" e não acreditariam que o Herman José foi lançado pelo Nicolau Breyner em "Sr.Contente e Sr. Feliz".
Pela pinta, Kareem Abdul-Jabbar deve ser um terrorista fundamentalista Muçulmano. E Magic Johnson é um detergente…
Nunca nadaram a pensar no "Tubarão".
Michael Jackson sempre foi branco.
Não sabem quem são "Os soldados da fortuna" mas se lhes perguntarmos quem são o "Esquadrão classe A" já respondem.
Nunca viram "Gente Fina é outra Coisa" e só viram reposições de "Uma Família às Direitas", da "Balada de Hill Street" ou do "Alô, Alô".
Tinham 4 anos quando Jack Nicholson foi Jocker em Batman.
Para eles o "Kit" sempre falou em brasileiro…
Não fazem ideia do que foi o "Live Aid" e nunca cantaram "We are the World, We are the children...".
Carlos Lopes é nome de um pavilhão embora saibam que foi o melhor maratonista português. Mas nunca o viram a cortar uma meta.
Só houve uma guerra do Golfo e foi depois do 11 de Setembro.
Sempre houve atendedores de chamadas e, afinal, que tem de novo enviar documentos por linha telefónica?
Quando toca um telemóvel já ninguém olha espantado. Já nem sequer andam com o primeiro que lhes deram…
A internet não revolucionou as vidas deles.
Já não compram albums. Vão à "net" buscá-los.
Para eles "Os amigos de Alex" é só um programa de rádio e provavelmente se vissem o "Flash Dance" dava-lhes vontade de rir.
"Vila Faia" é o nome de um vinho e não uma telenovela.
Nunca ouviram falar no J.R.Ewing e não sabem que mataram a Laura Palmer.
O "Casino Royal" deve ser ali na Figueira da Foz.
Só lhes calhou ouvir falar de uma Alemanha, ainda que na escola lhes tenham contado que havia duas. O muro de Berlim caiu quando tinham 4 anos.

Enfim, esta gente entrou na Universidade este ano...

(ideia original de um Tiago cujo apelido não me lembro...)

terça-feira, outubro 7

O sogro e o Intendente

A minha namorada é muito querida.
Ela vem de Aveiro e eu ando a mostrar-lhe a vida aqui em Lisboa. Vamos ao teatro, aos pasteís de Belém, a exposições, vamos andar de bicicleta, entre outras coisas. E eu achei que era boa ideia dar-lhe a conhecer tudo. E então porque não levá-la a passear no Intendente para ela ver travestis verdadeiros a trabalhar verdadeiramente? É certo que foi só uma voltinha de carro para ela ver essa realidade, mas era escusado contar à família precisamente no dia em que está tudo reunido por causa dos anos de uma tia qualquer! Quer dizer! C'um escafandro! Como é que eu havia de ficar, Xana? Foste dizer isso a brincar mas claro, o teu pai ficou cá com uns olhos! Acho que não vou conseguir ir a tua casa tão cedo.
Coitada, ela é muito querida, mas tem destas coisas.
Antes deste... episódio, o pai dela ia buscar um peru que tinha ficado encomendado para o jantar. O homem, o gajo, quer dizer, o senhor... ELE ia sozinho e estava já a sair quando a minha querida Xana resolveu dizer, "espera lá que o Xico vai contigo". Pois. "Vai e põe-te mais à vontade com o meu pai", disse-me ela ao ouvido. "Se calhar o teu pai prefere ir sozinho, deixa lá", mas não, lá tive de ir com a promessa de que desta vez também dormia na cama.
Entrei no carro e com o nervosismo fechei a porta como se fosse o portão da quinta... "Ui. Desculpe! É leve a porta, hã...". Foram precisos cinco minutos, cinco longos minutos para ele dizer qualquer coisa. "Se tu...", e eu borrei-me, "...me ajudasses a pendurar um quadro, fazias-me um grande favor". "Claro claro!" disse pensando "Ufff!!! Não foi desta".
E realmente não tive grandes problemas. Foi um passeio muito giro... Muito SILENCIOSO, mas muito giro, clap, clap...
Hoje em dia já o trato por pai... Coitado ele também já não liga a nada.

segunda-feira, outubro 6

O princípio do fim

Primeiras coisas primeiro: que moda é esta dos blogs que agora toda a gente tem um? Já começa a irritar um pouco esta do blog. Afinal de contas não é assim muito difícil. É só ir à net e clicar num link qualquer e já estás. E cria-se um blog.
Mas realmente irritam-me um bocado essas pessoas que, sem ideias próprias, não fazem outra coisa do que imitar os outros.
"Iniciei um blog". Parvinhos. E depois? Isso serve para alguma coisa? Impede a comida de ficar queimada depois de cinco minutos no micro-ondas? Muda o óleo do carro por nós? Era bom, mas não. Só serve para chatear os outros. Abrem-se blogs para escrever a dizer mal dos outros... Mas espera lá. Isso é muito útil... Mais um canal de "corte e costura"? Muito bom. Assim é que é. Essas pessoas que abrem blogs são muito espertas. Gosto. São inovadoras. Quem é que teve esta ideia? Sim senhor.
Não. Mas isto não serve só para dizer mal das pessoas. Já vi aí alguns blogs muito giros. Com receitas e tal. E outros... com as leis de 97 sobre o código de trabalho nas pme's...
Pronto. Agora devem pensar que eu venho para aqui dizer mal dos outros blogs. Nada disso. Há espaço para todos. Para além disso há muitos olhos e massas cinzentas para capturar.
Eu, apenas me apetece escrever coisas parvas.