terça-feira, outubro 7

O sogro e o Intendente

A minha namorada é muito querida.
Ela vem de Aveiro e eu ando a mostrar-lhe a vida aqui em Lisboa. Vamos ao teatro, aos pasteís de Belém, a exposições, vamos andar de bicicleta, entre outras coisas. E eu achei que era boa ideia dar-lhe a conhecer tudo. E então porque não levá-la a passear no Intendente para ela ver travestis verdadeiros a trabalhar verdadeiramente? É certo que foi só uma voltinha de carro para ela ver essa realidade, mas era escusado contar à família precisamente no dia em que está tudo reunido por causa dos anos de uma tia qualquer! Quer dizer! C'um escafandro! Como é que eu havia de ficar, Xana? Foste dizer isso a brincar mas claro, o teu pai ficou cá com uns olhos! Acho que não vou conseguir ir a tua casa tão cedo.
Coitada, ela é muito querida, mas tem destas coisas.
Antes deste... episódio, o pai dela ia buscar um peru que tinha ficado encomendado para o jantar. O homem, o gajo, quer dizer, o senhor... ELE ia sozinho e estava já a sair quando a minha querida Xana resolveu dizer, "espera lá que o Xico vai contigo". Pois. "Vai e põe-te mais à vontade com o meu pai", disse-me ela ao ouvido. "Se calhar o teu pai prefere ir sozinho, deixa lá", mas não, lá tive de ir com a promessa de que desta vez também dormia na cama.
Entrei no carro e com o nervosismo fechei a porta como se fosse o portão da quinta... "Ui. Desculpe! É leve a porta, hã...". Foram precisos cinco minutos, cinco longos minutos para ele dizer qualquer coisa. "Se tu...", e eu borrei-me, "...me ajudasses a pendurar um quadro, fazias-me um grande favor". "Claro claro!" disse pensando "Ufff!!! Não foi desta".
E realmente não tive grandes problemas. Foi um passeio muito giro... Muito SILENCIOSO, mas muito giro, clap, clap...
Hoje em dia já o trato por pai... Coitado ele também já não liga a nada.

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