terça-feira, novembro 25

Exagero

Há vezes em que tudo me parece um exagero. Um exagero porque não faz sentido estar assim por nada. Afinal de contas tudo é uma palavra traiçoeira e passa num instante. Este instante é que me está a parecer um exagero.

quinta-feira, novembro 20

Murphylogia I - Um verdadeiro problema não tem solução

Sim, um verdadeiro problema não tem solução. Senão não é um problema verdadeiro. Qual é o interesse de estar a tentar resolver um problema que tem solução? Quando a descobrimos acabamos por pensar que não era de facto um problema verdadeiro. Era apenas um contratempo. Agora um problema verdadeiro, isso é que dá gozo. E como não tem solução, forme-se uma comissão para o resolver. No fundo, uma comissão são doze homens a fazer o trabalho de um. E assim chegamos à conclusão que se algo não funciona há que expandir. Isto porque quanto mais se expandir, menos se notará que não funciona.

quarta-feira, novembro 19

Não saltem s.f.f.

Surgiu uma moda em Portugal que nos compromete perante o resto da Humanidade e que não tem cabimento nenhum de tão ridicula que é. Essa moda é tão parva que as pessoas que aderem recusam admitir que aderiram. "E salta fulano e salta fulano, olé, olé..."... Esta moda de fazer saltar alguém como forma de o homenagear é de uma estupidez difícil de igualar. O que aconteceu ao aplauso? Ao simples aglomerado de palmas que há tantos séculos existe? Será que, nos tempos de Platão, depois de se dirigir à assembleia, esta levantava-se e gritava: "E salta Platão, e salta Platão, olé, olé!"? Será que nas reuniões da Microsoft, quando o Bill Gates apresenta mais uma edição do Windows, o pessoal levanta-se e grita: "E salta Billizinho, e salta Billizinho, olé, olé"? Não me cheira nada. Estou mesmo a ver o Radu Lupu a saltar depois de tocar cheio de mestria uma obra de Débussy... Eu acho que esta moda parva começou no Big Brother. Isso não é grave. O grave é que pegou. Enfim. Gostaram deste blog? Então vá... "e salta Chico, e salta Chico, olé, olé!".

segunda-feira, novembro 17

Carta aberta ao Elefante

O S.U.U.C.C. (Sindicato dos Ursos Unidos Contra as Calúnias) vem por este meio contestar vivamente as acusações de que fomos alvos num recente artigo publicado por um elefante resabiado que não consegue compreender a falta de jeito que tem de dizer Buh. Sim, porque como o gajo diz Bu para fingir que é um urso, é natural que fujam todos, porque não é Bu que se diz, mas sim Buh. Se ele experimentasse ter umas aulas de dicção talvez conseguisse dizer Buh como deve ser e os animais não fugissem dele. Apesar de toda esta controvérsia, o S.U.U.C.C. está na disposição de oferecer um estágio no departamento de Dicção e Bons Costumes, como forma de ajudar o elefante em questão. O S.U.U.C.C. informa igualmente que abriu uma conta no BES com a finalidade de angariar fundos para o programa de desenvolvimento dos Elefantes dos Casais de Alpiarça. Sem mais assunto, o Sindicato agradece o espaço disponibilizado para a publicação da carta. A direcção.
(conta BES nib: 1000101248758)

sábado, novembro 15

Urso, uma ova!

Têm-me acusado de ser um bocado urso. Não sei o que os leva a dizer isso, mas muitas vezes, estou eu atrás de uma árvore, e ao aparecer de repente, gritam: "URSO!!!!!!". E eu estou triste com isso. Afinal de contas a minha tromba não engana ninguém. Quando apareço de repente digo: "Bu!" e se calhar é por isso que eles pensam que sou um bocado urso. Realmente os ursos quando assutam gritam bu. Nós os elefantes fazemos mais: "Yupi ai yeah". Mas eu gosto de brincar com eles e fingir que sou outro. Só que com este meu tamanho enorme, a tromba mais as duas orelhas descaídas é um bocado difícil de me confundirem com um urso. Os ursos são peludos e um bocado tótós, convenhamos. Além disso cheiram mal. Deviam tomar banho mais vezes. É que com aquela penugem toda é natural que fiquem restos de comida agarrado e entranhado nos pêlos. E quando me confundem com um urso fico triste porque antes de eu poder explicar que não sou um urso e sou um elefante, eles começam a fugir e a gritar: "Urso, Urso!". Vou deixar de dizer bu.

quarta-feira, novembro 12

Pancadaria boa

Repara que nem sempre é assim. Às vezes és tu que me tratas bem. Não pode continuar assim! Se queres que isto resulte tens de me tratar pior. Umas estaladas no mínimo! Ao príncipio, quando nos conhecemos era tudo um mar de rosas. Obrigavas-me a andar por cima de uma quantidade enorme de rosas, cheias de espinhos, e eu tinha de estar descalço. Agora já não fazes nada disso. Dás-me um beijinho aqui, uma festinha ali. Às vezes chegas a me abraçar! Que horror! Gostava tanto quando discutíamos e acabávamos a noite a espetar garfos nos braços um do outro. Agora é diferente. Já não me amas da mesma maneira. Estou desiludido com a nossa relação. Desculpa, mas é assim. Eu sei que também te dou um beijinho de vez em quando, mas é em público! Temos de disfarçar, e tu sabes bem isso. Mas também sabes que depois chegamos a casa e dou-te xispalhadas de meia noite. Mas dizes que estás com dores de cabeça e já não te posso dar a cabeçada de boas noites! Bem me disseram que os primeiros meses é tudo muito bonito. Agora até me pedes para me lembrar da data da nossa primeira pancadaria.

segunda-feira, novembro 10

Pombologias

Por que raio é que os pombos são todos do mesmo tamanho? Alguém me explica? Não sei, eu pelo menos nunca vi um pombo mais pequeno do que os outros, tipo, um pombo bébé, nem nunca vi um pombo mais alto, tipo jogador de basquete. Sempre que vejo pombos são todos iguais. Pronto, já aprendi a diferença entre os pombos e as pombas. Os pombos, na sua generalidade têm bigode e, de facto, as pombas não têm. Nisso eles são tradicionalistas e não se vê em lado nenhum uma pomba emancipada a usar bigode. Agora, nunca vi um pombo pequenino. Será que eles nascem já grandes? Será que também vêm de Paris, numa fralda na ponta do bico de uma cegonha? Ninguém nos explica essas coisas. Aqui entre nós, eu por acaso acredito mais na teoria de que os pombos têm um local secreto onde se reproduzem e crescem e só depois saem para a vida selvagem, ou seja, as cidades. Agora, onde será esse local secreto? Por acaso até acho que é no telhado do meu prédio porque de vez em quando vejo um casamento de pombos. Parece assim uma lição de voo. Vejo-os pela janela. Eles voam em conjunto, dão uma volta e regressam ao telhado. Acho que já os topei.

domingo, novembro 9

Dor de cabeça

Eh pá, que dor de cabeça! Parece que alguém me está a apertar os músculos que ligam as diferentes partes da minha cara. Se calhar é melhor tomar qualquer coisa. Ou então, se calhar é melhor parar de bater com o martelo. Mas isso seria ir pela via mais fácil. Eu não sou desses. Sou um homem forte e decidido. E vou conseguir que a cabeça me deixe de doer sem ter que parar com o martelo. Depois o sangue é outra história. Logo se vê. De qualquer das maneiras há de secar. Mas, desta vez, é melhor limpar. Da última vez que fiz isto, as pessoas não paravam de olhar para mim na rua. Ou seria porque me tinha esquecido das calças? Que merda. Nunca sei porque olham para mim. Olham, olham, mas nunca sei a verdadeira razão. Já estou bem melhor da cabeça.