No outro dia abri o meu coração com uma amiga minha. Por acaso, foi tudo num instante. Tínhamos combinado um jantar em minha casa, o qual preparei com todo o meu saber culinário, e durante a sobremesa começámos a falar...
"Sabes, gostava de abrir o meu coração contigo", disse-lhe eu.
"É? Terei todo o gosto em te poder ajudar nalguma coisa e digo-te já que me sinto honrada por me escolheres a mim para confiares esse teu coração", respondeu prontamente. E então, levantei-me, ela levantou-se também e partimos um para o outro para trocarmos um longo abraço. Saí da sala e fui buscar a minha mala.
Quando voltei à sala, deitei-me no sofá e tirei o bisturi da mala. Dei-lhe e ela fez-me um corte profundo. Aquilo doeu-me um bocado mas, com a mania dos machismos, não disse nem um ai. Ela olhou para mim e disse-me que tudo iria correr bem. Depois de tirar o coração de dentro do meu corpo, sentámo-nos os dois à mesa e com alguns utensílios de médicos observámos o meu coração. De facto, estava com algumas cicatrizes e tinha uma pequena ferida, a qual não sei a sua proveniência. Foi um momento muito bonito. Partilhei o meu coração com outra pessoa. Depois de diagnosticarmos o coração, ela voltou a colocá-lo dentro de mim e cozeu-me. Há que dizer que fiquei impecável. Acho que nem vou ficar com uma cicatriz que seja.
Sentámo-nos de novo à mesa e eu fiz-lhe uma banana flambé. O ambiente ficou um pouco diferente. Ela olhava-me com outros olhos. Uns olhos de ternura de quem faria tudo por mim. E eu, que tanta paixão nutro por ela, ardia de nervosismo por estar a ser correspondido. Sei que foi um golpe baixo. Sei que elas ficam todas caídinhas por nós quando abrimos o coração com elas. Mas não aguentava mais um dia sem poder dizer como a adoro.
quarta-feira, dezembro 3
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário